O dragão branco (2026)

Todas as noites, eu via um dragão do lado de fora da minha janela, guardando o meu sono. De certa forma, fazia-me sentir mais segura, mas eu tinha a impressão de que ele escondia um segredo, pois eu nunca o via durante o dia.

Ele era gigante, branco, escamoso, e suas asas eram maiores do que esse castelo de doze andares. Mas ele não cuspia fogo. Seu hálito tinha cheiro de hortelã. Eu sabia disso porque ele ficava muito perto da janela e às vezes vinha conversar comigo quando percebia que eu não conseguia dormir. Isso acontecia com frequência.

— Por que eu nunca te vejo durante o dia? Para onde você vai? — perguntei em uma noite, enquanto caminhava de um lado para o outro.

O dragão virou a cabeça para o lado, seus olhos dourados me encarando com curiosidade.

— Tem outros lugares em que eu preciso estar. Você não é a única com dificuldades para dormir que faz bom uso da minha companhia.

— Mas eu não gosto quando você vai embora.

— Eu sei. É por isso que eu sempre volto.

E era verdade. Ele sempre voltava. Voltava todas as noites, a única hora em que eu tinha que ficar acordada para vê-lo.

O sol estava nascendo novamente, indicando que era hora de partir.

O dragão branco me olhou pela janela e acenou.

— Até mais tarde.

Acenei de volta e o observei ir embora enquanto a porta do meu quarto se abria.

— De novo não… — aquela voz que eu sempre ouvia de manhã murmurou, enquanto me afastava da janela. Era um dos guardas do castelo, mas eu não o conhecia tão bem. — O que eu já disse sobre ficar perto da janela? É perigoso.

— Desculpe, estava me despedindo do dragão branco.

O homem na minha frente assentiu levemente e sorriu.

— Esse dragão parece um bom amigo. Você conversa muito com ele?

Assenti veementemente.

— Sim! Eu o vejo todas as noites!

— Ah, entendi… está explicado por que a senhorita não dorme — o homem continuou sorrindo de maneira simpática e me entregou um copo com água. — Beba isso, vai te ajudar a descansar um pouco.

Aceitei a água imediatamente, mas, assim que o líquido frio desceu pela minha garganta…

As paredes do castelo ficaram brancas.

As janelas pareceram mais baixas.

O quarto parecia menor.

— Está com sono? — Vou te ajudar — disse o guarda enquanto me ajudava a encontrar a minha cama, mas ele não estava mais de armadura. — Vou acrescentar uma dose noturna para que você não fique mais acordada a noite inteira, está bem? Agora, descanse.

E o médico foi embora assim que fechei os meus olhos.

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Nota da autora: 

Essa história foi feita com base no seguinte prompt de escrita, encontrado no Pinterest:

"Escreva uma história do ponto de vista de alguém com uma doença mental, mas só mencione no final."

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