Frankie (Evoluídos 1) (Degustação)

Leia gratuitamente o primeiro capítulo do meu livro Frankie abaixo.

1 - VICTOR

Foi tudo minha culpa.

Acredito que seja o momento de explicar-lhes o que aconteceu. Tentei redigir esse relato de inúmeras maneiras que talvez me fizessem parecer menos culpado, mas não posso fugir da verdade. A culpa foi exclusivamente minha, e meus atos prejudicaram a todos nós.

Me chamo Victor Frankenstein. Atualmente tenho trinta e cinco anos e trabalho na Neural Mind Tech, na sede de Londres, Inglaterra. Quer dizer… trabalhava.

Escrevo-lhes esse relato diretamente de minha casa em Genebra na Suíça, onde moro sozinho, e de onde por dias não pude sair sem ser xingado de todos os nomes possíveis.

Antes de entrar realmente nos detalhes que levaram a esse trágico desfecho de uma carreira que levei anos para construir, sinto que devo explicar primeiro, porque entrei na área tecnológica.

Desde criança, gostava de desenvolver projetos que pudessem facilitar meu dia a dia. Na época, minha família não tinha dinheiro para comprar um aspirador de pó, então peguei um ventilador, tapei os buracos dele com argila, liguei-o em um dos meus carrinhos e usei o controle remoto para fazê-lo andar pela casa, em um emaranhado de fios que mantinha tudo ligado funcionando. Não preciso nem dizer que esse projeto foi um tremendo desastre. Eu claramente não tinha noção alguma do que estava fazendo. No entanto, ao invés de ser repreendido, meus pais acharam aquilo hilário e lembro-me das palavras de meu pai como se o ouvisse nesse exato momento:

“Você tem talento, Victor. Um dia você mudará o mundo!”

Se isso foi um discurso padrão de pai para uma criança eu não sei, mas desde esse dia meu único propósito foi perseguir esse objetivo. Eu iria mudar o mundo.

Então, comecei a caminhar em direção a algo maior. Minha obsessão pela tecnologia prejudicou alguns de meus relacionamentos. Nem todos entendiam meu objetivo ou me apoiavam, mas eu tinha apenas um: criar algo que pudesse fazer meu nome ficar conhecido pelo resto da minha existência — e muito depois disso.

E, de fato, eu fiquei e ficarei. Mas não da forma que eu esperava. A ganância me cegou e as consequências foram irreversíveis.

Por isso, deixo nesse relato um alerta aos jovens cientistas, autores, engenheiros ou o que quer que vocês almejem ser um dia: tudo o que fizerem, façam com consciência e com responsabilidade. Vocês não sabem até que ponto suas ações terão consequências.

Dito isso, seguirão aqui os detalhes do projeto que destruiu minha carreira: Frankie.

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