Gancho: A História Não Contada (Degustação)
Leia gratuitamente o primeiro capítulo do meu livro Gancho: A História Não Contada abaixo.
Capítulo 1
Era uma noite sombria em Londres, e Jane estava faminta. As ruas estavam sempre repletas de pessoas ricas, mas ninguém para dar a ela ao menos um pedaço de pão velho. Ela cresceu assim. Sem pais. Sem amigos. Nada.
Ela não sabia porque lutou tanto para sobreviver durante todos esses anos se a vida não tinha nada melhor a oferecer. Ela estava cansada de roubar. Cansada de implorar por compaixão.
Então, ela percebeu que era hora de desistir.
A noite estava gelada, mas ela não procuraria um cobertor. Ela estava com fome, mas não procuraria comida. Estava tudo acabado.
Talvez quando eu deixar esse mundo, eu finalmente encontre paz.
Mas naquela mesma noite, Jane acordou com algo quente e macio sobre ela.
— Achei que estivesse com frio, então te trouxe um cobertor
Um garoto, aparentando idade semelhante a ela, disse enquanto a cobria. Ele tinha olhos verdes gentis e um cabelo loiro bagunçado.
— Obrigada, mas não precisava.
— Claro que precisava! Você podia ter morrido!
— Não me parece uma má ideia. — Ela disse com uma voz sonolenta — Acho que você é a primeira pessoa que me ajudou sem que eu pedisse.
— Como é seu nome? — perguntou ele, se sentando ao lado dela.
— Jane.
— Sou Peter. Peter Pan.
Jane não disse nada. Ela não estava interessada no que o garoto tinha a dizer.
— Acho que você é muito nova para pensar em morrer. — Peter começou a falar de novo.
— Só me deixa em paz. Minha vida não é da sua conta.
— Mas a sua morte é, já que você acabou de dizer que fui a primeira pessoa que realmente te notou!
— Você é irritante assim com todos que encontra dormindo na rua? E por favor, pare de falar assim.
— Assim como?
— Como um adulto. Toda essa conversa de “você é muito jovem para pensar em morrer”. Você não deve ter mais que treze anos.
— Está certa sobre uma coisa. Não sou adulto.
Jane não conseguia mais suportar aquilo. Ela olhou nos olhos dele e respondeu com firmeza:
— Vá embora. Por favor.
— Como quiser. — Peter deu um sorriso pretensioso…
De repente, os seus pés estavam suspensos no ar.
Jane estava muito assustada para gritar, ou para dizer qualquer coisa.
— Mas vou voltar, e espero que da próxima vez seu humor esteja melhor.
Peter retirou seu chapéu em um gesto cortês, e despontou no céu em direção a um lugar desconhecido.
Foi uma noite difícil para Jane. Ela não tinha certeza se aquilo havia sido real ou apenas um sonho. Mas tinha certeza sobre uma coisa:
Ela precisava ver o menino voador de novo.

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