Eu sinto falta do silêncio...
Às vezes, não é o barulho da cidade, nem o trânsito, nem a música alta do vizinho que incomoda.
É o barulho das opiniões gritadas o tempo todo.
Das notificações, dos egos inflados, das verdades absolutas postadas a cada segundo.
E nesse caos, tudo o que eu queria era isso: silêncio.
Mas enfim...
CALA. A. BOCA.
Esse poderia ser o título de um texto reflexivo, cheio de metáforas e provocações existenciais. Mas a única coisa por trás dele é o meu elenco de “Divertidamente” gritando, em coro, para o mundo inteiro simplesmente calar a boca.
Eu trabalho pela internet. Não só com escrita, mas também dando aulas de inglês online. É, sem dúvida, a minha ferramenta preferida do dia a dia. Mas tem dias que eu só queria que ela parasse. Pelo menos por um dia. Um apagão digital global — alô, Frankie! — só pra ver se a humanidade ainda sabe existir em silêncio.
Porque, resumidamente, parece que as pessoas passaram a se achar importantes demais, e essa sensação inflada de importância está destruindo a vida em sociedade.
As redes sociais deram espaço para as pessoas falarem. E isso, em tese, seria maravilhoso. Poderia trazer mudanças reais, discussões necessárias, escuta ativa. Mas não foi isso que aconteceu. Em vez disso, virou um palco onde todo mundo grita, mas ninguém escuta. O que era para ser troca, virou disputa. O espaço foi ampliado, sim, mas não junto com o senso de responsabilidade.
Era melhor quando éramos “egoístas” no sentido mais íntimo: quando nosso círculo social se limitava às pessoas que realmente faziam parte da nossa vida — não a desconhecidos que apenas curtem nossas fotos e seguem nossas rotinas por algoritmo. Havia mais verdade quando nossas opiniões eram formadas por experiências reais, não por carrosséis do Instagram ou vídeos com legenda em CAPS LOCK. As coisas eram centradas.
O que as redes sociais criaram foi um ambiente onde todo mundo pode falar, mas ninguém pode ser contrariado. Nunca. Qualquer divergência é encarada como ataque pessoal. E isso alimenta ainda mais fala — porque o ser humano não aceita ser ignorado. A indiferença dói. E quando não se tem autoconfiança, a necessidade de provar que está certo vira combustível. Resultado? Um ciclo interminável de gente gritando para ser validada, enquanto o que realmente precisa ser dito... vira um sussurro.
E aí entra algo que me inquieta cada vez mais: as pessoas não sabem mais ignorar.
Não sabem ver uma opinião diferente e seguir com a própria vida. Sentem a obrigação de responder, argumentar, corrigir, atacar, provar. Qualquer coisa que não seja o silêncio. Parece que desaprendemos a deixar passar. A ignorar o que não é nosso. Cada frase vira gatilho. Cada comentário, uma convocação pra batalha. Essa incapacidade de ignorar está transformando a internet num campo de guerra egóico onde todo mundo luta por uma medalha que ninguém vai entregar.
Esse texto todo surgiu porque eu resolvi abrir o Instagram (que, aliás, só uso no notebook), e alguém lá naquele buraco conseguiu me irritar dentro da minha própria casa. E não, não foi porque tinha uma opinião diferente da minha (algumas até faziam sentido). Foi porque estava ali, despejando textões só pra provar um ponto, dando palco demais pro outro lado e, principalmente, perdendo tempo demais.
E antes que alguém diga que eu estou fazendo a mesma coisa agora... Não. Eu não estou escrevendo isso pra debater com ninguém. Não tô aqui pra like, nem pra DM. Tô registrando um pensamento. Um incômodo. Uma angústia. Quem comenta no Instagram pra debater com outro usuário não está registrando nada. Está buscando palco.
E a verdade é que muita gente está assim: sem confiança pra se bastar, então busca validação externa o tempo inteiro. Mas isso, com todo o respeito, devia ser assunto pra terapeuta, e não responsabilidade das pessoas que só querem usar a internet pra aprender, trabalhar ou, sei lá, ver um vídeo de receita.
Então, por obséquio...
CALA. A. BOCA.

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