Usar meu celular como telefone fixo mudou completamente a forma como interajo com ele


Já tem um tempo que decidi que iria controlar o meu uso do celular. Afinal, descobri que durante toda a minha adolescência, minha mãe esteve certa (igual a sua) de que era “a droga do celular”. Mas ao invés de detalhar o processo que fez com que eu tomasse vergonha na cara para usar meu celular direito, eu vou pular direto para todas as técnicas que utilizei, sugeridas por outros minimalistas digitais.

1. Deletar os apps viciantes

Clássico. Primeira coisa que fiz foi isso. Antes eu até entrava no ciclo de baixar eles de novo, mas quando fiquei de saco cheio das redes sociais eu nunca mais baixei de novo. Depois tive que ser um pouco mais extrema e excluir o google, porque apesar de não entrar nas redes sociais, eu ainda usava muito a internet de forma excessiva. (Depois tive que baixar de novo, e foi um processo que explicarei depois como fiz para lidar).

2. Colocar o celular em escala de cinza

Ok, essa dica foi muito interessante, e eu com certeza usaria mais vezes... mas ela não diminuiu o meu tempo de tela. O que essa dica ajudou foi a reduzir MUITO a liberação de dopamina no meu cérebro por causa da ausência de cores, o que foi muito bom para que o uso do meu celular durante longos períodos não afetasse meu humor ou meu sono. Mas não, isso não reduz o tempo de tela (pelo menos, não comigo)

3. Usar bloqueadores de apps/sites

De todas as dicas essa é a que eu mais detesto. Isso nunca deu certo para mim, porque eu sei desativar esses bloqueios. Além disso, o bloqueio desses apps, psicologicamente, só me informa de que tem uma coisa ali que eu preciso evitar, o que me faz pensar mais ainda naquele app. Isso cria um ciclo vicioso e estressante de paranoia e uma falsa ideia de autocontrole. Não dá certo

Essas são as dicas mais clássicas, que você sempre vê por ai. Eram soluções temporárias que, unidas e usadas durante um tempo, me ajudaram a ter um pouco mais de disciplina no uso, mas nem tanto.

Até que eu ganhei um celular novo, e decidi não criar hábitos viciantes nele. Meu antigo celular tinha quase 7 anos de uso, então ele tinha “memória” de períodos longos de vício e uso intenso, e também períodos de restrição. Minhas mãos já estavam acostumadas a ele, e meus olhos (e meu cérebro) também.

Com meu celular novo, nos primeiros dias, eu me vi usando ele por mais tempo do que gostaria, e decidi cortar isso antes que virasse outro hábito ruim (um hábito leva mais ou menos 30 dias para ser enraizado e naturalizado em nossas mentes). 

Apaguei vários apps, mas não fui tão rígida como era com o antigo. Uma das coisas, é que precisei manter meu navegador de internet instalado, pois precisava de acesso a algumas plataformas no meu celular que só conseguia usar via google chrome. Fui gerindo isso com calma, até que esbarrei em um video no YouTube com uma ideia incrivel.

O video era de uma gringa dizendo que ela havia transformado o celular em um telefone fixo quando estava em casa. Não era simplesmente ter um lugar para mexer no celular, ou para deixá-lo longe de você antes de dormir (tentei fazer isso e sempre acabava levando o celular para a cama de qualquer jeito).

Não, ela literalmente prendeu o celular dela na parede com um suporte, e tinha um fio nesse suporte que ela prendia na capinha do celular. Eu achei a ideia incrivel e logo quis tentar.

Comprei um daqueles suportes de carregamento, que as pessoas colam na parede ao lado de tomadas e colei na minha estante. Depois peguei duas alças de celular (aquelas que fazem de miçangas, ou de crochê, tem umas capinhas que vem com elas), e prendi uma no suporte, e a outra na capinha do celular (naquele espaço onde tem dois buraquinhos para pendurar acessórios). Então eu prendi uma alça na outra usando uma argola de chaveiro e voilà, meu celular estava preso na parede. Sempre que quisesse tirar, eu tinha que abrir o chaveiro, o que não era difícil, mas criava distância o suficiente para que eu deixasse ele parado no lugar ao invés de pegar ele sem motivo.

E eu quase não tiro ele da parede. Quando tiro, é porque preciso ir em outro cômodo mostrar algo para alguém, quando vou colocar para carregar, ou quando vou sair de casa. As mudanças que percebi com isso, foram as seguintes:

  1. Eu não pego mais o celular compulsivamente: Sim, isso é um hábito muito infeliz, e percebi que tinha esse hábito quando emprestei meu celular antigo para alguém aqui em casa e vieram me devolver enquanto eu estava trabalhando. Meu celular real estava na parede. O antigo estava na minha mesa, mas não tinha nada nele para eu mexer... e mesmo assim, eu me vi pegando aquele celular algumas vezes até me dar conta de que aquele não era o meu celular e que eu estava pegando sem motivos.
  2. Meu tempo de tela real é mínimo: Eu estudo norueguês no Duolingo, respondo mensagens no WhatsApp, escuto audiobooks e às vezes pesquiso algo ou gravo conteúdos para o meu canal. São usos intencionais, que geralmente dão menos de 2h de tempo de tela. Dias em que saio de casa e preciso ficar mais atenta, o tempo de tela acaba aumentando, mas usá-lo em casa dessa forma me fez perceber que o tempo que eu usava antes era praticamente inútil.
  3. A bateria dura bem mais: Isso é óbvio. Se eu uso menos, minha bateria dura muito mais tempo, então não preciso ficar carregando.
  4. Ele é péssimo para trabalho e entretenimento: Descobri que, por mais potente que meu celular seja, o fato de ser um celular faz com que o uso para trabalho e entretenimento se torne insuportável para mim. Editar videos em uma tela """pequena""" me estressa, e assistir filmes e videos do YouTube também. Acho que o único entretenimento que uso nele são audiobooks, porque posso conectar meus fones no bluetooth e só ficar ouvindo. E quando vou gravar os meus audiobooks, uso o gravador dele, mas todo o resto faço no computador. 
No fim das contas, percebi que controlar o uso do celular não tem a ver apenas com deletar aplicativos ou instalar bloqueadores, mas com mudar a relação que tenho com o aparelho. A partir do momento em que deixei de ver o celular como uma extensão de mim e passei a tratá-lo como uma ferramenta — que pode e deve ficar parada quando não está em uso — tudo ficou mais leve. Ter um “telefone fixo moderno” na parede pode parecer uma ideia boba ou exagerada, mas foi o que finalmente me trouxe paz digital. Hoje, o celular voltou a ser o que sempre deveria ter sido: um meio, e não um fim.

Comentários

Libna Villarinho disse…
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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