A Providência na Bíblia fez ainda mais sentido após ler O Conde de Monte Cristo

Quando estamos lendo a Bíblia (ou quando uma pessoa que nunca encostou em uma mas acha que tem propriedade para falar sobre ela começa a latir) muitas vezes vem um questionamento bastante humano, que é: por que Deus permitiu essas coisas ruins?

A resposta é muito simples: a Providência.

Isso já tinha ficado claro para mim quando comecei a ler a Bíblia na ordem, mas parece que acendeu uma lanterna depois que li O Conde de Monte Cristo (lá vai eu falar de novo sobre esse livro, mas 117 capítulos dá margem pra muito conteúdo). Não vou resumir o livro porque já fiz dois textos enormes falando sobre ele, o que importa para esse texto aqui, é unicamente a ideia da Providência.

Na obra de Alexandre Dumas, o tema principal é a vingança, mas não é uma vingança mesquinha. É uma retaliação contra um ato extremo de injustiça contra um inocente. O protagonista, Edmond Dantès é alimentado por esse desejo de retaliação, mas a sua motivação vem pela sua crença na Providência (ainda que a linha de pensamento dele esteja biblicamente equivocada).

Ele acreditava que a injustiça imposta a ele, assim como a riqueza e o poder que recebeu eram parte de um castigo da Providência para seus inimigos. Edmond acreditava que Deus o escolheu especificamente para executar essa vingança, para ser o carrasco. A resposta é sim... E não.

Quando lemos na Bíblia, especialmente os eventos descritos no Antigo Testamento, a Providência age de inúmeras maneiras contra o povo de Deus. Os dois livros de Reis mostram isso muito bem, quando o reino do Norte com 10 tribos foi aniquilado e o reino do Sul (Judá) sofreu em exílio. Não foi uma injustiça contra inocentes. Foi a Providência, porque antes de toda essa tragédia havia um reino próspero que abandonou a Deus. Quase sempre que um novo rei subia ao trono, aparecia esse trecho “Fez o que era mau aos olhos do Senhor”. Quando aparecia um rei que fazia algo bom, a nação prosperava. O sucessor estragava tudo e o povo continuava sofrendo. O único motivo para Judá ter permanecido, foi a promessa que Deus fez a Davi e o nascimento de Jesus para a salvação da humanidade.

Em diversos momentos, fica claro que Deus escolheu os inimigos e os usou para castigar o povo, e também fica muito claro para quem lê o motivo para tanta tragédia. Isso não significava que Deus aprovava as ações dos povos inimigos, mas Ele usava essas ações para punir quem tinha que ser castigado, porque Ele é soberano, e Ele é a Providência.

O mesmo aconteceu em O Conde de Monte Cristo. Quando Edmond se coloca como um vingador, Deus não aprova... Mas já que ele escolheu estar naquela posição, a Providência agiu através dele. E a vingança de Edmond ainda não foi perfeita. Inocentes pagaram o preço e ele sentiu remorso porque reconheceu o próprio erro em acreditar que tinha direito de fazer aquilo.

A mensagem principal é a seguinte: não importa o caminho que você siga, o que você faça, quais sejam as suas escolhas, ou se você acredita que está fazendo o certo: independente do que você faça, o desfecho que prevalece é o que Deus decidiu. Se você quiser agir como um meio para impedir alguma coisa, você pode. Mas o fim não vai mudar. O que quer que você queira que aconteça, ou queira impedir, não vai acontecer por sua causa. Vai acontecer por causa da Providência. Ou talvez nem aconteça... Também por causa da Providência.

Isso é tudo.

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